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Mostrando postagens de janeiro, 2022

Harpias no estado de São Paulo

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  Campo Limpo Paulista, São Paulo Projeto de Monitoramento de Aves de Rapina Por vezes o trabalho de um ornitólogo se confunde com o de um detetive ao necessitar investigar profundamente algumas espécies, especialmente as pouco conhecidas e isto ocorre com certa frequência, na verdade. Um dos grandes casos que ocorreram durante a atuação do MAR em São Paulo foi o caso que envolvia a maior águia das Américas: a  Harpia harpyja . A espécie em particular durante os anos 2000 até a atualidade permanece praticamente "inexistente" no estado, com uma completa ausência de registros recentes. Na época, em 2016 ainda muito jovens, outros membros do projeto e eu sequer imaginávamos a presença desta águia na região de Jundiaí, no entanto como o grande amigo e ornitólogo Doutor Jorge Albuquerque diz: são os bichos que mandam.  Em 28 de Fevereiro de 2016, um dia chuvoso e frio, houve uma reunião na casa de Kaique, um dos membros do projeto, a casa ficava nas proximidades de dois grande...

Monitoramento de Aves de Rapina: a verdade das rapineiras em São Paulo.

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Campo Limpo Paulista, São Paulo. Minha história com a observação de aves e as aves de rapina estão intimamente relacionadas, não necessariamente foram as rapineiras que fizeram-me interessar pelo mundo destes animais alados, mas foram parte importante disso.  Quando criança, as únicas espécies que realmente eram abundantes para observação através de meu quintal eram justamente as aves deste grupo, os primeiros anos foram verdadeiros ensinamentos ao ver diversas espécies do meu quintal ou quando saía de carro, logo meus olhos foram treinados para buscar e olhar atentamente qualquer rapinante que pudesse.  Em 2015, durante o intervalo da escola, em um dia nublado e frio de Maio, foi observado um casal de Amadonastur lacernulatus,  vernaculamente gavião-pombo-pequeno. Essas aves foram verdadeiras surpresas na época, dois indivíduos de uma espécie tipicamente florestal sobrevoando os telhados de casas e instituições. Na época não havia nenhum outro registro da espécie acima d...

Pogonotriccus eximius: a misteriosa espécie presente em florestas estacionais do Vale do Rio Grande e Paraná.

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A espécie Pogonotriccus eximius , conhecida em seu nome vernáculo como barbudinho é um elemento tipicamente atlântico, presente em florestas ombrófilas ou semideciduais de Missiones, sul e sudeste do Brasil, intimamente ligado às formações vegetais próximas à água, no passado sua distribuição era relativamente mais ampla ou ao menos era mais presente em toda sua distribuição, algo distinto nos dias atuais. No estado de São Paulo os registros desta espécie constavam até as proximidades da foz do Rio Tietê, no Rio Paraná, atualmente não consta em praticamente nenhuma listagem ou amostragens nestas regiões ao centro ou norte do estado, em contrapartida ainda é localizado com maior facilidade no estado vizinho, em Minas Gerais, nas florestas de vales da Serra da Canastra.  Em tese, a principal causa do desaparecimento da espécie nestas áreas mais "secas" de sua distribuição é resultado legítimo da alta fragmentação e degradação de seu habitat, também não descartando a pressão cau...